domingo, 27 de agosto de 2023

Aquele móvel desgastado tem uma história

Eu não nego que sou perfeccionista. Não aquele perfeccionismo que falamos na entrevista de emprego quando nos pedem uma qualidade. Mas, do jeito ruim. Sabe?

Eu sempre quis tudo perfeito, tudo impecável, quis controlar tudo.

Se algo na minha casa estragava, riscava, manchava, saía do eixo, eu surtava. Jogava fora, descartava, escondia. Não aceitava.

Hoje me peguei olhando pro porta copos do sofá, que já viu dias melhores. Hoje tem umas partes estragadas. E sempre que elas ficavam aparentes, eu virada o lado pra não ver. Mas, em especial, hoje eu olhei pra ele, e lembrei do dia que a Brisa, ainda bebê, mordiscou ele e deixou aquelas marcas.


E por um instante eu me transportei praquele instante e aquelas coisas engraçadas de filhote e fiquei ali rindo sozinha. Mergulhada nas memórias que aquele móvel meio estragado me trouxe. 

E então entendi que quando a gente permite soltar o controle, a gente cria memórias, cria história. E eu poderia ter uma casa limpa, organizada, perfeita. Mas, a minha vida não estaria tão preenchida de amor e histórias gostosas pra contar.

Agora olho pra minha canga preferida que já foi remendada, o sofá furado, o piso arranhado, com outros olhos. É tão bom quando podemos ver tantos outros ângulos que algo pode proporcionar, né?

E extrapolando um pouco essa ideia, talvez a gente consiga também olhar para as nossas marcas, manchas, cicatrizes, curvas com esse mesmo carinho e generosidade. E na próxima vez que pensarmos em esconde-las, relembrar das boas lembranças e simplesmente aceita-las.

Um beijo.

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